sexta-feira, 19 de outubro de 2012

E tudo volta ao normal

Findo o período eleitoral, a vida volta ao normal no interior de Pernambuco. Crianças vão à escola, cidadãos trabalham quatro meses por ano para pagar impostos, criminosos à espreita da próxima vítima e políticos vencedores ou perdedores continuam rindo do povo.

A cada dois anos é a mesma coisa: o país para, assistindo aos militantes políticos brigarem em defesa de seus "ideais", enquanto que a vida do povo em quase nada muda. O que entristece a mim, na verdade, é saber que grande parte da população se deixa levar pela onda de sentimentos que toma o ambiente a cada dois anos e não raciocina como determinado personagem político pode interferir na vida das pessoas. Tomam-se lados e briga-se para termos um vencedor, enquanto as discussões importantes são esquecidas.

Saneamento básico, iluminação pública, segurança no centro, periferia e zona rural são apenas algumas questões esquecidas pelos eleitores, que se prendem apenas aos supérfluos e bobos questionamentos levantados pelos candidatos. Em período eleitoral, fala-se mais xingamentos do que se discute o plano diretor da cidade.

Nosso povo não valoriza o que deveria. Fala-se que somos um povo rico em cultura popular, mas na verdade não recebemos educação suficiente para produzir cultura popular de qualidade. Somos terra de ignorantes e politicamente apáticos. Tudo que produzimos é "direcionado" pelos detentores do poder. Fazemos o que nos mandam fazer, não questionamos, não perguntamos. Aqui, questionar é sinônimo de inimizade. É preciso muito cuidado ao discordar dos planos dos poderosos.

Até quando permaneceremos assim? Quando teremos consciência política? Quando o poder será realmente do povo? Não sei. Por enquanto, tudo continua normal...