segunda-feira, 18 de abril de 2011

Leituras de um povo

Dependendo do lugar onde você vive, eu poderia ser chamado de palavras como sovina, avarento ou mão-de-vaca. Na minha terra, a palavra seria pirangueiro. No entanto, nada disso é verdade, eu não sou assim. Sou, na verdade, econômico e planejo bem os meus gastos. Não deixo de comprar algo só para guardar dinheiro. Como todo bom brasileiro, no final do mês o salário já voou. Mas o que me diferencia da maioria é que os meus itens de consumo não são roupas, presentes ou passeios, por exemplo. Para esses itens, tenho restrições, sim, o que acaba gerando apelidos maldosos. Na minha lista de compras mensal estão presentes livros, cds, dvds, quadrinhos, shows, teatro e cinema. Não tenho coragem de comprar 400 reais em roupas, mas se for nos itens da minha lista, não penso duas vezes.

Foto: Eduardo Martino/Documentography (Revista Veja)

Se não quero pagar cem reais em uma camisa, sou pirangueiro. Se gasto o mesmo valor em uma única revista em quadrinhos, recebo apelidos como louco, nerd, "abilolado" ou "alesado". Está certo que nem sempre ando com as roupas da moda ou sou um exemplo de "descolado", mas esse é aquele mesmo papo sobre preferências: time de futebol e ideologia política, cada um tem o seu. Tentar provar que seus gostos são melhores ou piores que o do vizinho não leva a lugar algum.

Apesar de não ter como provar de que meus hábitos de consumo são melhores do que os verdadeiros "alesados" (ops! nada de julgamentos, certo?), ninguém pode negar que um alto índice de leitura em um povo aparentemente está associado a um alto grau de desenvolvimento da sociedade (basta uma procura rápida no Google). Outra coisa que ninguém pode negar é que o brasileiro, apesar da nossa rica cultura, possui hábitos de leitura, teatro e cinema muito escassos. Acredito que o fator econômico contribui para isso, mas se você oferece a alguém um ingresso de teatro ou 50 reais em cerveja, o que você acha que a maior parte dos brasileiros escolheria?

Mas ainda tenho esperança. Leiam a reportagem da revista Veja, clicando aqui. Está aí um exemplo que deve ser enaltecido por todos, independente de você gostar de uma cervejinha ou de refrigerante.

Em Caruaru, há atividades que também incentivam a leitura, mas não sei se há resultados, pois a mídia está mais preocupada com o "evento mais badalado do shopping" ou algo do tipo. Todos os dias vemos idiotices que os telejornais insistem em nomear como pauta. Notícia e informação de verdade, só de vez em quando. Quantas bibliotecas abertas ao público existem em Caruaru? Eu não sei, você sabe? Mas quantos centros de compras existem, essa ninguém arrisca a responder. Uma pena.

Não espero mais alguém me dizer onde posso consultar um bom acervo. Há dez anos "cultivo" minha própria biblioteca, com livros comprados com o suor do meu salário. Há até exemplares difíceis de encontrar sobre a história de Caruaru. Tenho também minha coleção de quadrinhos, cds e dvds. É como um jardim, todo mundo deveria cultivar o seu em casa. Não basta dizermos que somos um povo de uma rica cultura, temos que usufruir os produtos culturais de nossa terra (e de outros povos também, claro!).

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