segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Serviço público, apagão e os culpados

Hoje, o JC Online divulgou notícia sobre a investigação do apagão, ocorrido semana passada na região Nordeste. Segundo o jornal, documentos da Chesf mostram que o equipamento que originou o apagão tinha passado por manutenção em outubro de 2010 e que as manutenções devem ser realizadas de 4 em 4 anos. Os grandões de Brasília estão investigando e, dependendo do resultado, a Chesf pode ser multada. Mas isso seria justo?


O serviço público brasileiro sofre com ineficiência desde a época de colônia. Todos os setores apresentam problemas gerenciais, que vão desde um simples desentendimento no local de trabalho aos casos de corrupção e desvio de verbas. Isso é fato.

Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário não demonstram interesse em resolver os problemas do país. Isso é percebido quando você vê o Legislativo, por exemplo, desperdiçando 9 meses de trabalho, discutindo problemas internos ao invés dos assuntos importantes para a população. O Executivo está mais preocupado em não tomar medidas impopulares ou contrárias a seus aliados políticos ao invés de fazer o que é certo. Por sua vez, o Judiciário mostra-se afogado em processos e discussões inúteis, enquando os grandes vilões da história brasileira estão impunes.

Notícias de apagão na rede de distribuição elétrica não causam mais surpresa ou revolta. Antes que o dia terminasse, grande parte das pessoas não lembrava mais de apagão algum. Cada um seguiu sua vida e deixou o "assunto chato" para lá. Se as regras para controlar os gastos públicos não são eficientes e suficientes para previnir eventos desastrosos como esse, por outro lado não se vê movimentos populares de protesto. O assunto é apenas deixado de lado. Enquanto houver futebol, Carnaval e BBB na televisão, os problemas gerenciais do governo que "se explodam".

A Chesf não é culpada; as companhias de saneamento, como a Compesa, não são culpadas; os bancos públicos não são culpados; as universidades públicas lentas e ineficientes não são culpadas; os hospitais públicos lotados e sujos não são culpados; as prefeituras corruptas não são culpadas, os políticos não são culpados. Quer saber quem realmente é culpado? Você.

A culpa é sua, minha, do meu vizinho, daquele cara que está caminhando do outro lado da calçada, enfim, a culpa é da população que não procura qualificar-se, que não sabe escolher seus políticos, que pensa em curto prazo e tenta levar vantagem em tudo. A culpa é dessa "cultura de malandros", multiplicada por pais irresponsáveis, escolas relapsas e impunidade para todo e qualquer criminoso.

O que fazer, então? Sinceramente eu não sei. Não tenho a resposta. Sei apenas que, ao perceber que se está atolado na lama junto com todos, tudo que nos resta é comer com os porcos na esperança de sair do chiqueiro.

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