terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Turismo ruim, Pernambuco feliz

Esta é a postagem de estreia do meu novo blog. Para começar com o pé direito, mostro aqui o triste cenário que encontrei em dois pontos turísticos de Pernambuco: Cachoeiras de Bonito e Praias de Olinda.


Em Bonito, o que encontrei foi um cenário de descuido e infraestrutura precária dos equipamentos turísticos. Apesar da excelente qualidade das estradas, o acesso está horrível. Em uma movimentada manhã de domingo, o caos começa quando se chega no ponto turístico escolhido: a cachoeira Véu da Noiva I. Da estrada para a cachoeira, temos que percorrer um caminho de terra e pedras, estreito e à beira de um penhasco. Em alguns trechos, tive que dar várias buzinadas para avisar um eventual veículo que pudesse aparecer em sentido contrário, pois não caberiam os dois.

Passada essa aventura, encontramos outro desafio: estacionar. Simplemente a pequena área que há para estacionar não suporta a quantidade de visitantes de um domingo pela manhã. Dezenas de veículos ficaram estacionados naquela estreita estradinha de terra e pedras (por sorte, é um pouco mais larga nas proximidades do "estacionamento". Observei que algumas pessoas desistiram de visitar a cachoeira, devido a outro desafio: o caminho a ser trilhado do estacionamento à cachoeira, pois é simplesmente impossível para idosos e crianças pequenas.

Lama, pedras e desníveis impossibilitam caminhar com segurança por aqueles caminhos improvisados pela mão do homem. Apesar do cenário espetacular proporcionado pela natureza, ficamos mais preocupados em evitar um acidente do que contemplar a beleza daquele lugar. Para os aventureiros de plantão,  como os praticantes de rapel, aquele é o lugar certo. O problema é que não avisam quais são as condições de acesso, quando cobram a taxa de R$ 2,00 (dois reais) por pessoa na entrada. O valor é simbólico, mas que não diminui a frustração de um casal de idosos que não pôde seguir na trilha e teve que voltar para o estacionamento.

Em Olinda, na Região Metropolitana do Recife, o que presenciei foi uma faixa de areia extremamente curta, (devido ao avanço do mar), além de uma enorme quantidade de lixo no pouco que restou daquele pedacinho de natureza. Alí, o que há é uma combinação de ineficiência pública e falta de educação por parte da população que utiliza aquele equipamento turístico. Garrafas de vidro, sacos plásticos, embalagens de medicamentos, preservativos e até uma poltrona rasgada estavam na curta faixa de areia da praia de Casa Caiada. As imagens a seguir foram tiradas por mim do aparelho celular. Do alto da cobertura do hotel, via-se na água outro grande montante de lixo, desta vez flutuante, que não é percebido por quem está na faixa de areia. Muito triste!

 

 A Prefeitura diz que há um projeto de revitalização da orla de Olinda. As obras iniciam ainda neste primeiro semestre de 2011. A faixa de areia será aumentada e novas técnicas de combate ao avanço do mar serão implementadas. Se tudo isso for verdade e se tudo isso der resultado, haverá uma melhora significativa na infraestrutura do local. No entanto, há ainda o problema do desrespeito da população que degrada o ambiente com seus hábitos nojentos. Será que o poder público conseguirá mudar o compotamento dos usuários? Essa, acredito eu, será a verdadeira missão impossível.



Há problemas também em Porto de Galinhas, na Ilha de Itamaracá, no São João de Caruaru, no Carnaval de Olinda e Bezerros, Praia de Tamandaré... Nossa, a lista é imensa!  São todos problemas de gestão pública e/ou comportamento dos usuários dos equipamentos turísticos. E até onde sei, a solução mais rápida seria destruir tudo e começar do zero. É muita gente sem educação, que não sabe o significado das palavras preservação e sustentabilidade. Mas, apesar de tudo, o governo faz questão de dizer que estamos bem e progredindo. Bem, se o Governador diz isso, quem sou eu pra desdizer, não é?

2 comentários:

  1. O São João de Caruaru se aproxima e ficamos pensando como ainda achamos que é o melhor São João do mundo, onde apenas os apessoados e apadrinhados tem direito a curtir "o melhor são joao" sem tomar chuva - em seus camarotes regados a wisqui com o dinheiro do povo e esse mesmo povo tem que dançar na chuva!!!
    O são joão mais caro do mundo que ver barraqueiros explorando seus munícipes, cobrarem por consumação mínima em espaços sem o mínimo de conforto - há muito se foi o sao joão popular...

    E as credenciais para os camarotes??? que
    viram verdadeiros passaportes para o glamour!! será que o povo não merece também um pouco desse conforto ???? Fica aí a lembrança para os organizadores.
    Afinal todos e todas somos cidadãos/cidadãs que pagamos impostos e muito... e porque só vocês alguns poucos tem privilégios...

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  2. É muito importante que vc caro amigo tenha a brilhante iniciativa de deixar diante dos nossos amigos turistas o medo de pizar ou até mesmo passar perto de Pernambuco. Com isso nossa econômia fica cada vez mais fraca, diante das potências do mercado, acredito que não é através da desvalorização e sites como esse, que os problemas de ordem governamentais serão sanados, mas através de mobilizações centralizadas ao governo.

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